sábado, 8 de novembro de 2008

O peixe e eu...


Tudo começou numa noite quente e monótona de sexta-feira, a discussão sobre o peixe mexeu comigo, não tanto pelo peixe é claro, mas por toda a situação. Foi como se a bomba relógio que há muito estava em mim tivesse simplesmente explodido...

Tinha que tirar aquele pobre ‘bichinho’ daquele lugar, onde ele já havia presenciado um par de coisas estranhas, era a hora de mudar seu destino. E, com todo o sacrifício, carreguei seu delicado mini aquário até o hall de entrada do prédio; cruzei com os vizinhos, fiz malabarismos para conseguir abrir a porta e o levei até o carro.

A viagem era curta, e ao mesmo tempo em que eu cuidava para não derrubar a água, pensava no dilema da MINHA VIDA. O balanço do carro deixava a água agitada, assim como eu me sentia há algum tempo. Aquele espaço pequeno do aquário, me fez imaginar a tortura que aquele pequeno peixe presenciava todos os dias. Eu também me sentia presa, andando em círculos e voltando sempre para o mesmo lugar...era como se entendesse o que ele passava.

Consegui levá-lo com segurança ao seu novo ‘habitat’, que parecia ter sido feito especialmente para ele. Fiquei contente por interferir na sua pequena história e isso só em abriu os olhos para os meus temores. Minhas angustias estavam mais aparentes e tive vontade de evaporar, tomar ‘doril, mudar de planeta....no fundo eu sempre soube que cabia a mim decidir sobre o meu próprio futuro, isso se tornará uma prática pouco animadora, porém essencial.

Na encruzilhada da vida eu deveria prever as coisas, ter um sentido aguçado e contar com a sorte para seguir o caminho, mas mesmo sabendo como deveria agir eu também sabia que as conseqüências me enlouqueceriam, pouco a pouco. Voltei ao ponto inicial: ah sim, mudar, progredir e pronto! Poderia ser assim: fácil e rápido, sem dores, sem despedias, sem choros, sem arrependimentos, sem nada que machucasse... mas nunca é assim, essa é a realidade!

Mudar as coisas, virar o jogo, definir novas metas e encontrar o desconhecido são tarefas para poucos aventureiros. Acho que estou esperando a segunda bomba eclodir para tomar atitude antes que isso se torne mais complexo do que já é!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Vestido Inoportuno


Cristina era a filha caçula de Dona Lurdes e seu Honório, um casal humilde de sapateiros. Aos 19 anos sonhava em ser artista, enquanto trabalhava como faxineira.
Todos os dias quando ia para o trabalho parava em frente de uma grande loja e contemplava por alguns minutos um vestido. Era preto, com tecido de cetim e detalhes dourados que maravilhavam a pobre moça.
A rotina da admiração se repetiu por várias semanas, até que o dono da loja, sensibilizado pela condição de Cristina, propôs o vestido em troca de três dias de trabalho.
A tarefa foi feita com esforço, já que a jornada era dobrada: de dia faxina e à tardinha até a noite religiosamente comparecia na loja e fazia tudo com boa vontade. No terceiro dia conforme combinado, o vestido foi entregue pelo bondoso senhor.
A euforia dominou Cristina que só faltou sair saltitando pela rua, tamanha era sua alegria, provou o vestido mais de dez vezes e dormiu sonhando com o dia em que iria usá-lo.
Na noite seguinte seu pai passou mal e foi hospitalizado e em menos de um mês faleceu. Os parentes se reuniram para o velório, estavam todos no salão da igreja quando Cristina adentrou aquele mórbido ambiente, estava linda naquele vestido preto, com uma maquiagem forte e algumas bijuterias que roubara da mãe.
O velório estava cheio, seu Honório era uma figura muito querida no bairro e todos vinham lhe abraçar dizendo palavras de conforto e aquelas frases fúnebres, ‘eu sei o que você está passando’, ‘pobre menina tão nova e sem pai’, mas Cristina nem ao menos chorava, parecia estar em estado choque, à noite toda recebeu amigos e familiares e nenhum deles sequer comentou sobre seu fino traje.

sábado, 4 de outubro de 2008

Sobre a tristeza


É dia de chuva, chove lá fora e aqui dentro..... lá a água limpa tudo e aqui alivia um pouco....é um dia mórbido parece feito pra ficar em casa ouvindo Legião Urbana... eu queria mesmo um dia ensolarado, com um lago e uma ponte onde eu pudesse sentar e deixar a natureza me invandir, onde meus pensamentos pudessem sofrer interferência da paisagem...


Cansei das meias palavras, cansei da hipocresia, da bestialidade humana e da pobreza interior... mas despejar isso aqui não resolveria nada...


Por isso a mestra Martha Medeiros o faz por mim, ela realmente está certa .... temos que sentir!!!


" A Alegria na Tristeza"


O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.


O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.


Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.


Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.


Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.


Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.


Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.


-É isso!!!

=)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Infância


Cheiro de torta assada, grama molhada, meia furada, bicicleta quebrada.... lama na calçada, blusa virada, bolacha grudada e arroz com macarronada.

Saudades das janelas fechadas, portas encostas, escadas atravesssadas! Vontade de rever as tias animadas, vizinhas encorpadas e toda a parentada....

Anos de virada, turma renovada, mudanças estimadas e amizades afloradas. Alguns amores, novos sabores e jardim com flores....

Cidades diversificadas, com belezas totalmente exploradas e histórias encantadas.

Assim permaneço na roda animada, com gente pouco apropriada e ondas agitadas.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O que fazer com estes dias?










Hoje é um dia monótono, o friozinho dá abertura para a preguiça se instalar com precisão. Lá fora está tudo igual, ou quase tudo. Ainda é terça, dia este que mais detesto entre todos. Fiquei imaginando o que faria eu com esse dia se não tivesse que ocupá-lo com minhas atividades corriqueiras e "escravistas".



Poderia apenas ficar em casa e tirar o dia para não fazer nada como ver um pouquinho de TV, um filminho talvez, acompanhado de um chocolate quente, quem sabe um brigadeiro de panela... ah creio que tenha esquecido de contar que apesar de ser magra, tenho cérebro de gorda como sempre chamo, e comer é de fato uma das melhores coisas da vida, mas voltando à nossa chatíssima terça ou o que poderia fazer com ela.....



Também poderia viajar com os amigos para um acampamento, para dar umas boas risadas e conversar um pouco sobre tudo, vai que alguém contasse algumas histórinhas de terror na calada da noite, seria perfeito!!!



Podia caminhar na praia, sentir a brisa, olhar o mar e pensar umas 25.465 vezes na vida ou no que acho importante sobre ela, ou pensar em um monte de besteiras sem fundamento algum e acabar voltando logo para casa por causa do frio.



Poderia ler o livro que comecei e que está há semanas de um lado para o outro no meu quarto, e quando insisto em tentar devorá-lo o sono me consome. Apesar de ser até interessante conta a morte de uma família que é assassinada, ando de mal mesmo com o relógio... a minha peixinha Sofia quem o diga, trocar a aguá do mini aquário virou lenda, a poeira tomou conta, mas ao menos ela não está passando fome, apesar da variação dos horários sempre alimento ela.



Ah...eu poderia visitar uma velha amiga, dessas que a gente pode falar de tudo, e que nos entende só pelo olhar, poderiamos discutir sobre nossas relações familiares e amorosas, lamentar algumas atitudes e rir de outras, falar mal de alguém que odiamos por algum motivo besta, até cansarmos de tanto falar.






Voltando a minha terça, começou a chover, acho que a opção de ficar em casa vendo filme e comendo brigadeiro viria bem a calhar ....






Boa semaninha



bjones



;D









sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sexta!


Sextaaaaaaaaaaa ---- Melhor dia da semana. Hoje as questões sociais que me desculpem quero falar apenas o quanto aguardei minha querida sexta, semana comprida?Interminável!!! Recheada de provas, trabalhos, paranóias, briguinhas corriqueiras, e ainda passei mal, aham...mas isso nem merece ser citado... posso me focar a comentar que nem toda a família está reunida mas algumas pessoas bem importantes estão comigo, minha mãe por exemplo. Essa semana ainda me peguei pensando em como deve ser complicado ser mãe ou pai, e senti muito estar longe de ambos...tive uns momentos de lembranças, de tantas coisas faladas, dos sons da risada, de olhares, de lugares, de pessoas e sensações que pareciam estar no baú, escondidas, como quando guardamos algo que ao rever é uma ótima surpresa...mas isso está um tanto melancólico já...

Bom "Os Simpsons" estrearam e ainda nem vi, é dublado porque parece que o Bart falava mal do Brasil, nossa para variar né, mas nem culpo os americanos de fazerem piadas sobre nosso país, porque está uma piada mesmo, estilo humor negro... frequentemente penso nisso, onde vamos parar? Eu sempre sonho em viajar para outros países, não sou tola em pensar que lá é tudo perfeito, nem sei o que me leva a sentir tanta vontade de ir, mas enfim faz uns 2 anos que isso martela a minha cabeça... e mesmo que demore eu vou sim!!!!!!!





Tinha umas outras coisas pra comentar mas o relógio sempre me atrapalha né!!!Detesto relógios...




quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Pensando alto...




Primeiro post no meu blog! A ideia é falar de tudo, transcrever todas aquelas coisas que penso, mas esqueço, não comento e que talvez sejam um pouquinho relevantes. Eu? Deixa me apresentar: essa parte é chata....sou uma aspirante a jornalista, de 23 anos, dotada de toda aquela vontade insana de mudar o mundo. Me questiono... as vezes me revolto, mas aprecio a vida e fico na expectativa de novos horizontes, novas ideias, mais doçura e menos tempo perdido com bobagens, com pessoas pequenas, quero atitude!!! Quero estar aqui e estar na Etiópia ao mesmo tempo, quero generosidade nas pessoas mas também quero sinceridade, chega de hipocrisia, meias palavras....quero espontaniedade.
Pois bem, nada fácil entender as pessoas, suas esquizitices, suas manias e pré- conceitos. Será que somos frutos das nossas raízes?A qual molda nossa personalidade? Ou simplesmente seguimos nossa índole? Será que se nasce "bonzinho" ou "psicopata", queria um livrinho de respostas para cada dúvida: como não errar, como estar sempre bem ou quase sempre, em quem confiar, no que acreditar, qual o real sentido da vida...mas acho que nenhuma loja vende esse livro né?Cada erro ou acerto mostra ou abre os caminhos...Destino? Não acredito muito, imagino com meus botões que temos algum "projeto" mas cabe a nós traçá-lo, mudá-lo ou fazer outro totalmente diferente.
Estou com os pés gelados, e isso me lembra que por hoje basta de escrever...mas quero sempre divulgar essas pequenas besteiras por aqui.